Já faz um tempo, né?
De repente eu fui consumida e desapareci, eu estava perdida.
E sabe o que é? Foi bom. Mas também foi ruim.
Me entreguei e me perdi de mim mesma, quando eu finalmente entendi isso doeu de um jeito terrível.
Quando fui soltando minhas mãos em meio ao caminho, o mais difícil foi me reencontrar gradualmente.
Só foi confirmando, assumindo o que acontecia e eu mal podia ver.
Eu consegui fazer de novo. Mas em um novo papel.
Eu me cedi demais.
Sempre com o intuito idiota de oferecer tudo que pudesse, como se em algum relapso de loucura eu pudesse cobrir buracos, tampar feridas. É impossível.
E sabe o que mais me dói?
Eu sempre me abandono, eu sempre fujo de mim mesma.
Como posso fazer qualquer coisa por alguém se não posso fazer por mim?
Me sinto repetindo o mesmo erro que cometi com o Rafa, com a diferença de que fui franca e clara.
Eles me abandonam e eu dou a eles o conforto da irrelevância. Eu alimento o egoísmo.
E então, quando deixei ir, quando me desprendi da unica coisa que me mantinha onde estava, foi absurdo.
Como algum tipo de magica, ou acontecimento inesperado, eu senti de volta meus sentidos.
Meu olfato, meu tato, minha mente.
Como tudo isso pode ser tão absurdo?
Eu não sei como me empurrei dessa forma, não sei como me esqueci e deixei tudo passar.
E quer saber de uma coisa?
Eu gosto de mim mesma. Muito. Quase na proporção com que me desaponto comigo mesma.
Esse poço de vazio e confusão, sofrimento interno resulta numa parte da qual me orgulho.
Não me trocaria por nada.
Só não sei como fazer me atentar a meu respeito.
Aplicar esforços que estou ciente desde muito.
Eu estou feliz. Estou aqui. Uma merda, mas por nenhuma razão que não as de sempre.
Não é só culpa minha, mas também não é só de ninguém.
Acho que as pessoas esperam que todas sejam iguais a elas, e as vezes de deparam com quem não é, e fica dificil funcionar. Mas acho que sempre dá pra seguir em frente?
Elas escolhem o caminho, se foram avisadas.
Minha rota não ia na mesma direção.
É uma pena, sinceramente.
Mas a gente tem que se apoiar em si mesmo e ter algum tipo de esperança, não é?
Eu te amo muito, meu amor.
Amo você e sempre sempre vou amar.
Tenho saudade, dói.
Te carrego comigo.
Até logo.