quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

depois de tudo

depois de tudo, principalmente depois do trabalho, muita coisa tomou um rumo diferente.
tô fazendo as coisas como deveria, ou da melhor forma que posso. mas também posso melhorar.
depois do trabalho, do emprego comecei a terapia, depois tentei medicação, depois tive algum aconselhamento profissional e no final das contas consegui fazer algo melhor do que não pude fazer antes.
as coisas estão indo okay, apesar dos pesares, das limitações, ao menos o que burocraticamente é mais importante, está indo apesar da minha performance não atingir nem mesmo metade do que poderia ser.
evito projetar as coisas pois como já aconselhada, se torna uma sombra muito grande, uma sombra que toma forma e dimensão e que carrego pela perna com muita dificuldade. acho que o que mais lamento agora é a solidão, não o fato de nao conseguir mais me engajar romanticamente mas o fato de simplesmente estar nessa posição em que nada mais se difere. como me relaciono com as pessoas, não importa o que ainda é sem sabor algum. nada, ninguém me faz sentir qualquer coisa, e o que mais quero é poder ir pra casa.
não essa exatamente. mas pra casa.
meu lar não existente, o espaço em que haja algum tipo de pessoalidade e espaço para uma existência mais individual e única.
não porque quero trazer alguém para dormir junto, não porque quero ter a liberdade de fazer qualquer coisa que meus 15 anos projetaria, mas o simples peso de poder existir de forma simples. o mais simples possível.
me sinto nessa redoma que não só sufoca ou talvez não sufoque mais, mas em um espaço muito grande e pequeno ao mesmo tempo. me
ainda que a balança seja muito clara no que tange as equivalências, as vezes tudo que eu queria poder fazer é me deitar e pensar em mim, independente do que.
assumir meus erros e vivenciar meus acertos só. já não quero mais contar com ninguém e qualquer menção do gênero é um peso que estarei criando sozinha. já não quero mais.
acho que estou ficando velha e ou mais lúcida, ou mais estúpida, mas qualquer que seja a realidade, eu quero mesmo é mudar.

mutilam

de todas coisas que vem acontecendo, as que não acontecem são as que mais me machucam. as que já se foram já não mutilam mais, mas todo dia que não vivo a vida que queria, me vejo abandonada sobre a beira do abismo de uma vida que não conhecia. não assim.
das minhas riquezas, a sobrevivência é o que me resta, conto moedas pra comer, gasto todas elas por angústia.
há muito já não me pegava vivendo em cercas tão fechadas, mãos atadas e pernas livres para trabalhar. não pratico as mudanças que minha salvação me ofereceu, meu compromisso é a fuga, e por alguns momentos sinto como se nunca tivesse saído do mesmo lugar. minha cabeça lateja e o que mais posso fazer se não esperar que as pulsações parem?
minha vida não é só minha, e espero que o que não depende de mim surja com urgência, a minha urgência de viver uma vida maior.
quero quitar minhas dividas, não ter medo da fome e do dia de amanhã. da água que vou beber, do banho quente que quero tomar, e do pão que alimenta o corpo.
quantas coisas mais preciso aprender com tantas barreiras pelo caminho?
sou inconsequente e estou ciente, mas esperava que de alguma maneira, a vida pudesse relevar meus exageros e dentro dessa trilha, ainda houvessem afagos. tenho tanto medo e estou só, ainda que não. minhas angústias são só minhas e eu espero de verdade que as portas se escancarem e que eu tenha a chance de ser alguém diferente enquanto ainda jovem.
jovenzinha, imatura, que pode desbravar o mundo de uma maneira mais simplificada. eu acredito que as coisas podem ser melhores. e eu aguardo por esses dias, mas por hoje, o que eu mais quero poder fazer é me deitar e chorar as lágrimas que preciso derramar.