sexta-feira, 27 de junho de 2014

Tudo é sempre "eu"

Oi,

Eu só queria dizer que eu não quero, nem estou sendo egocentrica.
Mas não adiantaria muito perguntar se você está bem, por isso sei que tudo bem se for para você apenas me ouvir, né?
Além do mais, eu não tenho mais ninguém para me ouvir, e preciso disso.
Porque eu também existo, e também fico feliz ou deprimida, e canso de engolir tudo isso sozinha.
E porque mais ninguém liga, e eu entendo isso.

Obrigada por ter existido, por me amar, e por ser quem sempre foi.

Obrigado por me ouvir sempre que venho aqui.

Obrigado por me ouvir hoje também,
Te amo muito,
Pra sempre, todo o sempre.

Quem disse que era para eu me sentir mal?

Oi,

Eu odeio títulos grandes demais, mas não pude poupar de usa-lo agora.
Eu realmente tô me sentindo mal. Acho que foi o café.

Eu tomei muito café.

Eu não escrevo bem, acho que só aqui que consigo expressar alguma merda de sentimento, e acho que é porque aqui ninguém me vigia, e isso me deprime.
Eu não queria ligar para o que as pessoas pensam sobre mim, mas eu sei que eu ligo, não no sentido de me acharem legal, ou não; mas sim de me enxergarem frágil demais, e porra, isso me irrita demais.
Eu queria ser mais forte, e poder mandar todos se foderem, e ficar em paz com minhas coisas, mas eu não posso, e isso é algo aprendi já faz um tempo, então me ponho a estar atenta a todos, para evitar mais bombas na minha cabeça.
Mas eu tô tão cansada, eu vivo cansada, eu vivo irritada, deprimida, cheia de problemas idiotas que eu mesma causo porque sou muito filha da puta comigo mesma.
Acho que o verdadeiro problema é que eu me enjoo fácil com as coisas, das pessoas e essa estabilidade me confunde muito.
As mesmas pessoas agindo do mesmo modo, diferentes pessoas agindo sempre do mesmo modo.
Eu realmente odeio isso.
Eu preciso de algo novo, pessoas novas, ideias novas, preciso de ideias.
É tão estúpido amar algo que não te ama.
É patético.

Acho que por isso nunca vou saber lidar com sentimentos, porque por mais que eu os tenha as vezes, eu não gosto deles.
Não consigo, porque eles me irritam.
E depois, eles desaparecem.

E não é esse tipo de sentimento individual, porque por sorte, eles não aparecem para mim.
Eu sou grata por isso.

Eu sempre me irrito, tudo sempre desaparece depois.
E eu gosto disso.

Eu tenho me sentindo tão sozinha ultimamente, e você ainda é a causa disso, mas não há nada que possa ser feito, e eu realmente não vou me expor para outras pessoas, porque não é tão simples assim.

Eu continuo odiando tudo.
Porque estou irritada com tudo.
Espero que tudo desapareça depois também.

Mas eu ainda te amo,
Isso sim é algo que vai ser pra sempre.
E eu nunca vou me cansar disso.

Obrigada por me ouvir mais uma vez,
Te amo pra sempre,
Todo o sempre.


sábado, 14 de junho de 2014

De passagem

Oi,
Sei lá, não tenho o que dizer, sabe?
Precisava de alguma companhia de verdade, e sempre acabo vindo pra cá.
Acho que a senhora não se incomoda, né?
Tô perguntando muito, né?
Sei lá.

As coisas tão bem estranhas, mas acho que já vi algo do tipo.
Quando sua vida fora de casa tá arruinada, é o momento que dentro as coisas melhoram.
E vice versa.
Preferia que as coisas estivessem mal em casa mesmo, mas eu fiz isso né.
"O ser humano carrega o peso da liberdade em suas costas", algo assim.
Foi Sartre que disse isso, eu realmente gosto das ideias dele, acho que a senhora apenas ficaria olhando pra mim e ouvindo, seria engraçado lembrar disso depois.
Eu gosto dele, gosto das ideias dele, mas isso me remete a total culpa disso tudo, e eu realmente me sinto muito culpada.
Mas não há nada que eu possa fazer, se não esperar pra tentar consertar quando a hora chegar.
Eu me arrependo sem me arrepender, é que eu tô cansada. Não cansada de enjoada, mas literalmente me cansa muito ir lá.
Mas ok, vou esperar.
Olha, eu não tinha mesmo o que dizer, por isso já vou indo.

Te amo muito, 
Pra sempre.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Procrastinadora

Oi de novo,

Eu tô com medo da bomba que tá pra estourar na minha cabeça, dessa responsabilidade socando na minha cabeça.
Eu fiz tudo isso, eu que vou ter que arcar com isso, e sabe, aqui tá tudo tão bagunçado, tão desestruturado.
Essas brigas não cessam, e eu já nem sei mais quando é sério, ou quando é uma daquelas de sempre. E também não sei mais até onde isso machuca um ao outro, parece que as mais pequenas são as mais perigosas, como pequenos cortes que vão juntando até inflamar e infeccionar, daí a coisa é mais séria.
Eu já me decidi que segunda eu vou atrás daquela ajuda que eu te disse, porque tô com medo da bomba, e não tenho mais pra quem pedir ajuda, afinal.
Vou meter um desinfetante, uma soda caustica na minha cabeça, e limpar ela de qualquer coisa que deixe rastro de sujeira, sujeira que atrapalha, sujeira que só tá parada, de informação sem utilidade.
Tô me setindo parada do tipo, bloqueada.
Por isso quero a ajuda, pra não voltar ao mesmo inferno mental.
Mas eu tô me sentindo melhor hoje, de alguma maneira.
Eu quero me organizar pra ver eles de novo, pra fazer bonito mesmo dessa vez.
Por onde eu começo?
Queria saber fazer isso pro resto das coisas em minha vida, mas sei lá.
Sou uma verdadeira procrastinadora.
Procrastinadora.
Procrastina.
Procrastinar.

Faz bagunça. É irresponsável. É parada. É procrastinadora.

Quando ela ligar, vai ser isso que vai dizer.

Não é mentira, mas quem precisa saber?

Sou assim, mas quero resolver sozinha; eles não vão saber resolver.
Nunca sabem.
Me agredir não resolve mais, porque não ligo mais.
Me xingar não resolve mais, porque não ligo mais.
Me vetar não resolve mais, porque não ligo mais.

Não sei o que mais resolve.

Resolve eu me virar sozinha, acho que é isso.
Tomara que ele atenda de novo e não entenda de novo.
E eu fique sozinha de novo.

Eu reclamo tanto que não me entendem, mas eu nunca quero né?
É porque eles não vão mesmo, não exijo mais.

É isso.

Obrigada,
Te amo muito.


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Você faz tanta falta

Oi,

Fui no sábado, e no carro eu chorei tanto, que me esforcei muito pra não fazer barulho, porque o choro era forte. Chorei porque eu sabia que não teria sua preocupação e sua ansiosidade, e quando eu voltasse, seu alivio e curiosidade.
Eu fui, e não tinha pra quem ligar e tranquilizar, e falar tudo aquilo que eu tinha pra contar.
Eu fui lá, e fiz tudo que tinha que fazer como quisessem, e não questionei, e acabou não sendo como queria que fosse memorável, mas tudo bem, porque me tornei tão maleável pra tantas coisas, que vai ser mais difícil brigar, se não for exatamente por isso.
Eu fui, mas eu voltei.
E você não tava aqui.
E foi tudo tão vazio que o valor não foi o mesmo, e eu me senti tão sufocada por isso. Tava desesperada.
Eu não tinha mesmo pra quem contar.
Eu poderia ter mil pessoas no mundo pra falar, como alguns poucos me perguntaram, mas nunca, jamais será a mesma coisa se não for você.
Você era tão sincera, mas tão sincera dentro da sua confusão e desatenção, que era até gostoso ter que explicar mil vezes a mesma coisa, e chamar sua atenção pra que a senhora entendesse o que eu queria dizer.
E a senhora ouviria as mil vezes se fosse preciso para me entender, porque me amava incondicionalmente.
E sabe, esse sonho todo que passei esses anos enchendo tanto a senhora com assunto bobo, com aquelas coisas todas bobas, mas que era só porque era você que tava lá me ouvindo, perdeu a energia.
Esse é o buraco que você deixou, a energia foi toda embora.
E até aquela que era muito pouco foi embora de vez, e tá tão, mas tão sacrificante dar um jeito de fazer tudo direito, que se eu não cuidar, o que não gasto mais de energia agora, depois vai ser uma bomba que vai estourar na minha cabeça.
Eu preciso daquela ajuda indiferente só pra poder vomitar pra alguém meu desespero, porque vai ser alguém que não me conhece, não liga, e não se intrometer mesmo na minha vida; vai ser tão fechado que nada vai acontecer além de um alivio no peito, e é disso o que mais preciso.
Mas não é porque eu não quero mudar, mas só eu posso me ajudar, ninguém mais tá aqui como você pra me abraçar e cantar aquelas canções de ninar, e me tratar como a criança indefesa que eu sou, e mais ninguém nunca quis aceitar ou enxergar. Só que eu nunca precisei delas, porque você sempre bastou, foi muito mais que suficiente.
Você tinha que ir embora hora ou outra, mas eu jamais estaria preparada de verdade.
Sinto tanto sua falta, tanta, tanta, tanta...

Você não pode fazer mais nada por mim mesmo, mas eu posso entender, ainda conto com seu amor.

Mas obrigada por me ouvir mais outra vez,
Te amo tanto, para sempre,
Todo o sempre.

Só isso

Oi,

Sabe, gosto de vir aqui, de como as coisas aqui são paradas e como o tempo cessa sem muito desgaste, gosto de como aqui é vazio e as pessoas são transitórias, de como não se importam em demorar e apenas fazem o que tem de fazer.
Odeio esse apego as coisas, odeio o barulho e as pessoas, de terem tão pouco conteúdo e como seu ego é inflado por acreditarem possuir grande coisa.
Eu entendo o senso conceptivo individual, mas não consigo me abster a valores mínimos necessários, da consciência do presente e sua importância, e como isso nos remete ao passado. Não é obrigatorio gostar, mas é essencial saber.
Então prefiro aqueles que não conheço, que não posso julgar, por não saber quem são. Gosto do transitório, porque não dá tempo de assimila-los. Gosto do silencio pelo bloqueio de intimidade.
Não é como se eu não quisesse laços permanentemente, mas em tempos como os de agora, eu simplesmente os dispenso.

Mas obrigada por me ouvir,
Te amo, para sempre,
Todo o sempre.