Oi,
Fui no sábado, e no carro eu chorei tanto, que me esforcei muito pra não fazer barulho, porque o choro era forte. Chorei porque eu sabia que não teria sua preocupação e sua ansiosidade, e quando eu voltasse, seu alivio e curiosidade.
Eu fui, e não tinha pra quem ligar e tranquilizar, e falar tudo aquilo que eu tinha pra contar.
Eu fui lá, e fiz tudo que tinha que fazer como quisessem, e não questionei, e acabou não sendo como queria que fosse memorável, mas tudo bem, porque me tornei tão maleável pra tantas coisas, que vai ser mais difícil brigar, se não for exatamente por isso.
Eu fui, mas eu voltei.
E você não tava aqui.
E foi tudo tão vazio que o valor não foi o mesmo, e eu me senti tão sufocada por isso. Tava desesperada.
Eu não tinha mesmo pra
quem contar.
Eu poderia ter mil pessoas no mundo pra falar, como alguns poucos me perguntaram, mas nunca,
jamais será a mesma coisa se não for você.
Você era tão sincera, mas tão sincera dentro da sua confusão e desatenção, que era até gostoso ter que explicar mil vezes a mesma coisa, e chamar sua atenção pra que a senhora entendesse o que eu queria dizer.
E a senhora ouviria as mil vezes se fosse preciso para me entender, porque me amava incondicionalmente.
E sabe, esse sonho todo que passei esses anos enchendo tanto a senhora com assunto bobo, com aquelas coisas todas bobas, mas que era só porque era você que tava lá me ouvindo, perdeu a energia.
Esse é o buraco que você deixou, a energia foi toda embora.
E até aquela que era muito pouco foi embora de vez, e tá tão, mas tão sacrificante dar um jeito de fazer tudo direito, que se eu não cuidar, o que não gasto mais de energia agora, depois vai ser uma bomba que vai estourar na minha cabeça.
Eu preciso daquela ajuda indiferente só pra poder vomitar pra alguém meu desespero, porque vai ser alguém que não me conhece, não liga, e não se intrometer mesmo na minha vida; vai ser tão fechado que nada vai acontecer além de um alivio no peito, e é disso o que mais preciso.
Mas não é porque eu não quero mudar, mas só eu posso me ajudar, ninguém mais tá aqui como você pra me abraçar e cantar aquelas canções de ninar, e me tratar como a criança indefesa que eu sou, e mais ninguém nunca quis aceitar ou enxergar. Só que eu nunca precisei delas, porque você sempre bastou, foi muito mais que suficiente.
Você tinha que ir embora hora ou outra, mas eu jamais estaria preparada de verdade.
Sinto tanto sua falta, tanta, tanta, tanta...
Você não pode fazer mais nada por mim mesmo, mas eu posso entender, ainda conto com seu amor.
Mas obrigada por me ouvir mais outra vez,
Te amo tanto, para sempre,
Todo o sempre.