Oi,
Tenho tantas coisas para fazer, e na verdade estou preocupada porque não posso fazer nenhuma delas agora.
Sem uma boa internet é dificil fazer boas pesquisas, não posso assistir as coisas que preciso, nem nada.
Talvez seja desculpa porque não fiz isso quando estava em casa, mas acho que caiu a ficha com esse acréscimo pesando na minha vida.
O tempo corre, não para, não espera.
E então, eu que parei, e deixei tudo cair bem na minha cabeça. Bem feito?
Talvez eu merecesse mesmo isso, para adquirir algum tipo de senso.
Dia 10.
Tenho só 11 dias de sossego.
Eles só vão me liberar com 7 dias, e sim, eu estou preocupada.
Mas também confesso que estou fugindo de leitura forçada, fico encabulada, mas tenho que fazer um esforço.
Talvez eu precise mesmo é de um tapa na cara, literalmente.
Procrastinando de novo, Idiota.
Eu queria ir pra lá, e me fechar.
Eu queria ir acolá, e me libertar.
Eu só queria vento forte batendo na minha cara, uma chuva fria, e a sensação de não ter obrigação nas minhas costas.
Talvez eu esteja com o abominável complexo da idade, da idade que eu nem tenho.
Mas me empurram pra essa responsabilidade desde agora, e odeio essa suavidade.
É estupido, porque agora ela só esta em minhas costas, acho que estão lavando as próprias mãos usando a psicologia, e está dando certo, já que ficarei sem argumentos.
Além de procrastinadora, sou uma irresponsável.
Ou gostaria de poder ser.
Eu nem sei bem onde ir, e o que fazer.
Acho que não choro faz um bom tempo, e isso também não tá sendo muito bom.
Não extravazo nada, e fico nessa porcaria de discussão interna, mas que coisa mais inutil.
Isso sim é pura enrolação, nem sei o que estou fazendo aqui.
Desculpa, mas preciso que me acompanhe nisso também.
Apesar de Sartre ter toda razão, algumas decisões que as pessoas tomam são baseadas nas emoções, no cuidado com os outros e consigo mesmos, então, soa obrigação.
Quanta estupidez. Quanta covardia.
Vou ir sozinha.
Eu acho que preciso disso, mesmo.
Sufocada. Amarrada. Enforcada. Asfixiada.
Tenho de todo ar puro agora, mas sabe que essa sensação não passa?
Acho que essa discussão que tive a vida inteira de sempre precisar um pouquinho da solidão não era mentira dos tempos dificeis, acho que se tornou, afinal, um traço meu.
Também acho que aprendi a responsabilidade da maneira errada, por isso sou procrastinadora.
Também sou responsavel pelo que sou agora, até porque reconheço, mas não mudo.
Por que não mudo?
Acho que é porque não queria mudar, quero viver tudo aquilo que não posso pelos motivos que me envergonho de ter.
Essa vergonha, sinto raiva.
Se é por ser patético, ou por ser frustrada, não sei bem. Acho que por ambos.
Fico triste por ter raiva, por tudo isso.
As coisas poderiam ser mais mágicas, né.
Ah, o que não daria por mais emoção.
Nem é o tédio, nem a monotonia.
É o sentimento de frustração.
Quanto sentimentalismo, meu deus (não questione o maiúsculo, por favor).
Te contei que ando comendo muito?
Espero que não seja emocional, realmente.
Vou ficar encabulada demais, porque aliás, já existem coisas demais fora de controle para algo se unir a minha bagunça.
E dessa vez, eu nem posso controlar.
Você poderia ter ficado.
Eu te amo tanto,
Sinto tanto sua falta, sinceramente, essa é a única coisa que não posso prender.
Você ainda é aquele buraco que me desarma e me deixa vulneravel.
Você é aquilo que me machuca de todas as formas, de todos os modos.
Me deixou toda essa enfermidade, e toda essa saudade.
Mas ainda parece tudo bem.
Eu só preciso achar a pessoa certa para me ver desabar, a pessoa que darei o direito, e que estará livre dos meus muros, aquela pessoa que carregará a responsabilidade de lidar com minha sensibilidade.
Alguém que não vá embora sem se importar.
Sem egoísmo, sem individualismo.
E as vezes, eu só quero que ela apareça logo, porque as vezes também, não sei até onde consigo aguentar.
E você não vai voltar.
Mas obrigada por me ouvir,
Eu sinto muito sua falta,
Te amo muito, mesmo.