de todas coisas que vem acontecendo, as que não acontecem são as que mais me machucam. as que já se foram já não mutilam mais, mas todo dia que não vivo a vida que queria, me vejo abandonada sobre a beira do abismo de uma vida que não conhecia. não assim.
das minhas riquezas, a sobrevivência é o que me resta, conto moedas pra comer, gasto todas elas por angústia.
há muito já não me pegava vivendo em cercas tão fechadas, mãos atadas e pernas livres para trabalhar. não pratico as mudanças que minha salvação me ofereceu, meu compromisso é a fuga, e por alguns momentos sinto como se nunca tivesse saído do mesmo lugar. minha cabeça lateja e o que mais posso fazer se não esperar que as pulsações parem?
minha vida não é só minha, e espero que o que não depende de mim surja com urgência, a minha urgência de viver uma vida maior.
quero quitar minhas dividas, não ter medo da fome e do dia de amanhã. da água que vou beber, do banho quente que quero tomar, e do pão que alimenta o corpo.
quantas coisas mais preciso aprender com tantas barreiras pelo caminho?
sou inconsequente e estou ciente, mas esperava que de alguma maneira, a vida pudesse relevar meus exageros e dentro dessa trilha, ainda houvessem afagos. tenho tanto medo e estou só, ainda que não. minhas angústias são só minhas e eu espero de verdade que as portas se escancarem e que eu tenha a chance de ser alguém diferente enquanto ainda jovem.
jovenzinha, imatura, que pode desbravar o mundo de uma maneira mais simplificada. eu acredito que as coisas podem ser melhores. e eu aguardo por esses dias, mas por hoje, o que eu mais quero poder fazer é me deitar e chorar as lágrimas que preciso derramar.
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