Eu tô com tanta saudade, mas é uma saudade amadurecida, uma saudade que mais do que doer, ela isola, ela te deixa perdida dentro da realidade em que não nos abraçamos, nem conversamos mais.
Tanta coisa aconteceu nesse meio tempo, e não sei até onde vale a pena falar um monte de coisas que você talvez já saiba como é, e como acontece
Eu te amo tanto, mas tanto, que hoje a certeza de que você existiu faz a vida valer mais a pena.
Tô num processo que desejei muito no trabalho, porque valoriza muita coisa, e ao mesmo tempo me trás uma enorme carga de responsabilidade e amadurecimento.
Eu deveria estar mais feliz, e na verdade eu estou muito grata, mas sinto como se eu sempre andasse dentro de um cubículo claustrofóbico de pouco crescimento pessoal onde eu vivo sempre dentro dos moldes de expectativas, e isso reduz o que sinto, o que penso e o que quero.
Poderia chamar isso de ingratidão, mas não tenho nenhum tipo de objeção que não esteja relacionada a essa barreira de coisas que existem e de quem eu sou.
Eu não sei quem eu sou, não sei do que eu gosto, o que eu quero, meus próprios planos, desejos, metas, não conheço minha força, não conheço minha garra, não sei nada, não me conheço nem um pouco.
Isso me enlouquece de formas absurdas, mas tudo na minha vida é tão passivo-agressivo que eu nunca sei o que está de fato acontecendo, nem suas motivações.
Minha vida é um questionamento eterno de motivações não muito claras, e é um absurdo eu estar tão inerte dentro dessa afirmação, porque ainda assim eu não tenho certeza de nada.
Minhas indecisões estão todas acercadas de medo de julgamentos e de torturas.
Tudo é motivo pra que eu me mate, e a maneira como morreria se tornou muito pequena dentro da mensuração de sucesso pra que eu não tenha que lidar com consequências póstumas a um fracasso.
Tudo na minha vida é medo, mentira e tristeza.
Eu nunca consigo estar plena sem mascaras, mentiras e da vida, da rotina e dos meus próprios sucessos.
As cartas chegam na minha casa, e eu só as recebo abertas, eu recebo meu dinheiro, e eu não tenho direito de planejar e errar com ele, eu voltei pra faculdade e preciso mentir o tempo todo pra cobrir uma conquista dessas, meus bolsos são revistados, e eu não tenho nada dentro da verdade deles que dê qualquer aval pra esse tipo de invasão, eu não tenho chaves, nem escolhas, nem privacidade.
Vivo pra ser algo que não conheço, vivo pra atingir metas que não reconheço.
Sou invalidada.
Sou pedaço de uma maquina de carne e osso, sangue e vísceras e fibras.
Sou um nada quebradiço, e tenho uma existência desmotivada, e que talvez hoje faça sentido eu não ter plenitude em nada.
Eu não me conheço. Eu não sei quem sou.
Sinto sua falta todos os dias, o tempo todo.
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